Manoel dos Reis Machado .....::::: A Ginga - "GINGAR SEMPRE" :::::.....
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[ Mestre Bimba ]

A ginga é a parte mais importante no desenvolvimento do jogo da capoeira. Bimba dizia: gingar sempre constava no regulamento da sua Academia"GINGAR SEMPRE". Ele próprio nos pegava pelas mãos em nossa primeira aula nos ensinanda a gingar. Neste primeiro contato físico com aquele homen recebiamos uma enorme carga de energia que permanecia para sempre conosco. A ginga praticada naquela época quebrava a inércia do jogador, soltavam-lhes as pernas, os braços, o corpo e a mente. A ginga quanto mais malemolente, balançada, mais rítmica tornava mais apto o jogador ou jogadora a enganar o adversário, para faze-lo ficar alerta, para se esquivar, para marcar a ginga ou os golpes do oponente; os braços soltos se movimentando da cabeça para baixo protegiam o rosto e o corpo.

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A ginga obedecia sempre o ritimo do berimbau. O capoeirista que melhor entendia estas funções da ginga ficava melhor situação no momento do jogo, o adversário ficava desnorteado e se desconcentrava, marcava um golpe errado e com certeza tomava uma queda ou sofria um contra-ataque fulminante, ficava em desvantagem. A ginga balançada, mole, quebrada na cintura fazia com que o jogador respirasse melhor, se cansado menos, tendo melhor visão periférica, portanto com o cérebro mais oxigenado seus reflexos eram mais rápidos e tanto na defesa como no ataque estava sempre levando a melhor. A dança da ginga mostrava toda a beleza da expressão corporal e a alegria de estarmos jogando capoeira, matreirice da ginga escondia a malícia, as intenções (as más intenções) do malandro, era tapeadora, falsa e linda para confundir o outro malandro, para tapeá-lo, para em fim enredá-lo fazê-lo cair no laço que definia o embate. Ginga, ginga, era a voz forte do Mestre orientado os novos alunos, enchendo-os de confiança e essa voz ficava gravada em nossos sentidos para o resto de nossas vidas. No nosso tempo, cada aluno tinha sua própria característica de gingar, porém, sempre obedecendo aos princípios descritos acima, não era uma coisa marcial, todos iguais não, era muito variado o estilo de cada uma e isto trazia sempre uma beleza renovada nas rodas, nas aulas e nos jogos. A individualidade na maneira de gingar de cada um dos alunos tornava nossas aulas ricas de movimentos e de criatividade, a alegria reinava sempre, a capoeira fluia naturalmente, na benguela muitos floreios, no São Bento Grande quanta variedade de movimentos, até nos jogos mais ríspidos, duros, com quedas espetaculares havia alegria e beleza e no jogo da Iúna quanta facilidade para se entrar numa apanhada, para soltar os balões os movimentos de projeção.

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