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Mestre
Bimba ]
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No nordeste de Amaralina, bairro da orla marítima de salvador, logo que subia a ladeira em frente ao Quartel do Exército, virando -se primeiro à esquerda e logo em seguida à direita chegava-se ao Sitio Caroano. Numa casa de esquina, branca com uma porta e duas janleas, cobertas d etelhas de amianto, ficava a sede de nossa "Acedmia". Estar ali para nós os alunos era uma espécie de hornra de que muito nos orgulhávamos. Ao entramos naquele barracão com seu salão enfeitado de bandeirolas no teto, com uma portinha interna de onde saía nos dias de festa uma bebida chamada mulher barbada ou barbadinha, preparado pelo o próprio mestre Bimba de uma receita mantida em segredo por ele e seus familiares, juntamente com uns acarajés e uns abarás ao entrarmos ali já encontravamos o chão de cimento batido sempre varrido e tudo arrumado. Tirávamos os sapatos para não sujar o recito, em sinal de respeito. |
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Era ali onde se realizava as festas batizados, as formaturas,
as aulas especiais aos domingos pela manhã ou muitas das exibições
para os grupos turistas e visitantes e também realizavam-se os exames
dos alunos escalados para a formatura; para os exames, o mestre num dia
qualquer da semana convocava: você,você e você exame domingo.
Era simples assim os escolhidos nunca perguntavam por que e muito menos
os que não haviam sido escolhidos faziam qualquer questionamento
sobre a escolha. Confiavamos totalmente nas decisões no de nosso
Mestre. Naquele barracao havia uma coisa especial no ar, o ambiente era
para nós como que sagrado bem diferente do ambiente mais intimo do
dia-a-dia da Academia do Pelourinho. As Aulas eram sempre aos domingos pela
manhã, chegavámos bem cedinho e alguns de nós ja vinham
de casa com a ropua de capoeira, coisa que o Mestre não recomendava,
ele dizia - não mostre o que você tem, a surpreza é
a nossa melhor aliada - e já encontravamos a esposa do Mestre e outras
baianas na arrumação da casa e elas permanenciam por ali para
fazerem parte no coro, tanto da roda de capoeira como dos ensaios e apresentações
da Puxada de Rede ou do Maculelê, do Samba de roda ou do Samba Duro,
ou então das Danças do Camdomblé que faziam parte de
nossos shows. Quanto as Danças do camdomblé seu Bimba explicava
que eram apenas representações para os turistas e que embora
estas representações fossem fiéis à religião
do camdomblé não era ritual em si, demonstrando assim o respeito
que o mesmo tinha por sua religião - O Mestre era Ogan. Aos domingos
tínhamos este encontro com a vadiação.O espaço de cimento batido com seus bancos comprimdos tipo "pelas-porco" para as visitas o colorido das bandeirolas, a presenças das baianas, tudo isto nos dava uma emoção diferente, principalmente pela presença de alguns alunos mais antigos que sempre nos honravam com suas presenças, participações e histórias Nas festas de batizados e formaturas o horário das 14 horas eram fielmente cumprido, tínhamos que chegar às 13 horas para os preparativos e com as roupas muito limpas e alvas, o mestre não se atrasava nunca e multava com algumas brahmas ou barbadinhas se por acaso nos atrasássemos. |
Sempre
quando terminavam as aulas nas manhãs de Domingo, os mais íntimos
do Mestre, geralmente os mais antigos, tinham a regalia de ir até
a residência de Seu Bimba para uns bate-papos mais demorados, ouvir
estórias, casos da vida do Mestre e da capoeira antigamente, Jair
Moura, Dr. Decânio, Medicina, Onça, Camisa Roxa, Itapoan,
Boinha, Piloto e muitos outros. Muitas vezes estavam presentes Edinho,
Rosendo, Gigante e Braz que ajudavam o Mestre nos pandeiros e berimbau,
alguns colegas e amigos do Mestre, capoeiristas muito antigos participavam
destas conversas pois era muito grande a amzade de seu Bimba para com
o esses seus colaboradores e antigos companheiros que nos premiavam com
muitas lembranças de coisas passadas para contar. Os alunos que
privavam dessas conversas tinham toda a atenção dos familiares
do Mestre. Não que aos novatos não fosse permitido compartilhar
esses momentos, é que os memos como que por respeito se resguardavam
aguardando o momento de sua vez. Tal ritual ninguém determinava,
ele nascia quase que espontaneamente e todos tinham muito respeito por
ele. Escrevendo isto a
saudade pega Forte Oh sim sim sim |
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