Manoel dos Reis Machado .....::::: "O Sitio Caroana":::::.....
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[ Mestre Bimba ]

No nordeste de Amaralina, bairro da orla marítima de salvador, logo que subia a ladeira em frente ao Quartel do Exército, virando -se primeiro à esquerda e logo em seguida à direita chegava-se ao Sitio Caroano. Numa casa de esquina, branca com uma porta e duas janleas, cobertas d etelhas de amianto, ficava a sede de nossa "Acedmia". Estar ali para nós os alunos era uma espécie de hornra de que muito nos orgulhávamos. Ao entramos naquele barracão com seu salão enfeitado de bandeirolas no teto, com uma portinha interna de onde saía nos dias de festa uma bebida chamada mulher barbada ou barbadinha, preparado pelo o próprio mestre Bimba de uma receita mantida em segredo por ele e seus familiares, juntamente com uns acarajés e uns abarás ao entrarmos ali já encontravamos o chão de cimento batido sempre varrido e tudo arrumado. Tirávamos os sapatos para não sujar o recito, em sinal de respeito.

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Era ali onde se realizava as festas batizados, as formaturas, as aulas especiais aos domingos pela manhã ou muitas das exibições para os grupos turistas e visitantes e também realizavam-se os exames dos alunos escalados para a formatura; para os exames, o mestre num dia qualquer da semana convocava: você,você e você exame domingo. Era simples assim os escolhidos nunca perguntavam por que e muito menos os que não haviam sido escolhidos faziam qualquer questionamento sobre a escolha. Confiavamos totalmente nas decisões no de nosso Mestre. Naquele barracao havia uma coisa especial no ar, o ambiente era para nós como que sagrado bem diferente do ambiente mais intimo do dia-a-dia da Academia do Pelourinho. As Aulas eram sempre aos domingos pela manhã, chegavámos bem cedinho e alguns de nós ja vinham de casa com a ropua de capoeira, coisa que o Mestre não recomendava, ele dizia - não mostre o que você tem, a surpreza é a nossa melhor aliada - e já encontravamos a esposa do Mestre e outras baianas na arrumação da casa e elas permanenciam por ali para fazerem parte no coro, tanto da roda de capoeira como dos ensaios e apresentações da Puxada de Rede ou do Maculelê, do Samba de roda ou do Samba Duro, ou então das Danças do Camdomblé que faziam parte de nossos shows. Quanto as Danças do camdomblé seu Bimba explicava que eram apenas representações para os turistas e que embora estas representações fossem fiéis à religião do camdomblé não era ritual em si, demonstrando assim o respeito que o mesmo tinha por sua religião - O Mestre era Ogan. Aos domingos tínhamos este encontro com a vadiação.

O espaço de cimento batido com seus bancos comprimdos tipo "pelas-porco" para as visitas o colorido das bandeirolas, a presenças das baianas, tudo isto nos dava uma emoção diferente, principalmente pela presença de alguns alunos mais antigos que sempre nos honravam com suas presenças, participações e histórias

Nas festas de batizados e formaturas o horário das 14 horas eram fielmente cumprido, tínhamos que chegar às 13 horas para os preparativos e com as roupas muito limpas e alvas, o mestre não se atrasava nunca e multava com algumas brahmas ou barbadinhas se por acaso nos atrasássemos.

Sempre quando terminavam as aulas nas manhãs de Domingo, os mais íntimos do Mestre, geralmente os mais antigos, tinham a regalia de ir até a residência de Seu Bimba para uns bate-papos mais demorados, ouvir estórias, casos da vida do Mestre e da capoeira antigamente, Jair Moura, Dr. Decânio, Medicina, Onça, Camisa Roxa, Itapoan, Boinha, Piloto e muitos outros. Muitas vezes estavam presentes Edinho, Rosendo, Gigante e Braz que ajudavam o Mestre nos pandeiros e berimbau, alguns colegas e amigos do Mestre, capoeiristas muito antigos participavam destas conversas pois era muito grande a amzade de seu Bimba para com o esses seus colaboradores e antigos companheiros que nos premiavam com muitas lembranças de coisas passadas para contar. Os alunos que privavam dessas conversas tinham toda a atenção dos familiares do Mestre. Não que aos novatos não fosse permitido compartilhar esses momentos, é que os memos como que por respeito se resguardavam aguardando o momento de sua vez. Tal ritual ninguém determinava, ele nascia quase que espontaneamente e todos tinham muito respeito por ele.

Ainda aos domingos de manhã, na saída as 11 / 12 horas mais ou menos alguns alunos como Boinha, Alegria, Bolão, Zilá uma das poucas moças a praticar capoeira naquela época, eu cafuné, Xareu, Calango, Pombo de Ouro e tantos outros paravam num barzinho que havia no meio da ladeira do Nordeste da
Amaralina para saciarem a se de com um rápido copo de cerveja ou refrigerante e desciam para a praia ou para suas casas completamente felizes, satisfeitos, em quase estado de graça, de leveza, em fim, de bem com a vida.

E era assim o ambiente aos domingos no "arraiá da mandassaia", em Amaralina.

Escrevendo isto a saudade pega Forte

Oh sim sim sim
Oh não nao nao


Oh sim sim sim

Oh não nao nao




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